30 de outubro de 2005

A paixão de Cristo (e do irmão)

Chegado há dois dias, as comemorações do Halloween ainda vão a meio. Já ninguém se veste de fantasma ou de lobisomem; isto por aqui parece mais o Carnaval. Vivo no Upper West, mais conhecido por estar ao lado da Columbia University, e toda a gente aqui na residência parece estudar lá (bem, é como fazer Erasmus outra vez, mas à enésima potência). E o meu excelente irmão resolveu vestir-se de Cristo durante o fim-de-semana: i.e., vestido com um lençolzito em volta da cintura e uma coroa de espinhos. E um cobertor para não morrer de frio à noite. Vamos até Downtown, de metro e é a loucura; o êxtase foi quando entrou um grupo de três gospeleiros na carruagem, e Cristo começou a dançar e toda a gente a bater palmas ao ritmo da música! “C’mon guys, they’re singing for me!”. Pois, na sexta a mesma cena, e ganha o concurso de máscaras – uma garrafa de tequila, e logo são todos amigos dele. Nessa noite também encontrámos um espécime no metro, uma rapariga que agora sai sempre connosco e cujo disfarce consistia numa série de arames que lhe saíam da boca, espetados, Ou seja, num raio de 50 cm ninguém se podia aproximar da cabeça dela sem ser arranhado. Era simpática, não conseguiu dizer nada ininteligível a noite toda; está a tirar um doutoramento.
E ontem... O cinema real. Os vídeos do 50 cent? Ao vivo. E grátis. Uma hora e meia à espera de alguma compaixão, numa fila ao frio e cheia de gente a chamar o porteiro e amigos dele a passarem à frente; quando dei por ela, eram todos itálicos!!! Ai ai nem aqui (aliás, especialmente aqui, está cheio deles) me livro. Metade do nosso grupo desistiu, mas nós (eu a rapariga dos arames, ontem sem eles, mas com a parte da frente da cabeça rapada) resistimos estóicamente e lá conseguimos entrar. Cheio de gente bonita, óptima relação numérica machos-fêmeas, qualidade geral, toda a gente vestida de chulos e putas (era o tema da festa). Grandioso, ultra-decadente, e quando o Cristo subiu para a coluna... foi a fucking madness, tudo a tirar fotos e aos gritos. Nice... e isto ainda vai a meio, segunda é o desfile. A seguir, algumas fotos, espero, da residência, do parque, do meu quartito entre o do mexicano e do chinês.

3 comentários:

CMGA disse...

uau...as histórias de Nova York começam a revelar-se , tal como as imaginei...hilariantes!Esperemos que daqui a 18 meses, tenhas um magnífico best-seller para editar!

Anónimo disse...

Eu pensava que tinhas ido para NY, mas afinal enganaste-te no vôo...e foste parar a um manicómio gigante. Vê lá se não atrufias não "land of plenty"....
Abraço

Anónimo disse...

E andei eu a criar-te para agora me saires à noite com raparigas seguras por arames. O teu irmão não é pessoa de confiança. Olhas que vou dizer à minha mãe.
Um abraço e boa estadia, extensivel ao Cristo